Nayara Matteis
Na manhã de hoje (10), um importante movimento se concretizou para o desenvolvimento do turismo sustentável no país. Ao todo, 11 entidades dos setores turístico e de eventos assinaram a Declaração de Belém para o Turismo Sustentável, que visa organizar a agenda ESG dos segmentos e, assim, elevar a competitividade do Brasil perante a outros destinos internacionais.
Um dos desdobramentos da COP30, realizada na capital paraense no ano passado, a iniciativa propõe a criação de um hub de sustentabilidade, baseado em trilhas de conhecimento e boas práticas ESG para todos os elos da cadeia produtiva dos setores.
A ESG Pulse, plataforma brasileira especializada em métricas, governança e verificação de práticas ESG no setor de eventos e turismo, atua como Secretaria Executiva da Declaração de Belém, apoiando a coordenação da iniciativa e a estruturação da fase de implementação de forma técnica e independente, preservando o caráter público, setorial e coletivo do compromisso.
Hélio Brito Jr., fundador da ESG Pulse e articulador da Declaração de Belém, destacou que o movimento vai muito além de ações de sustentabilidade. “É sobre a qualidade de um processo de certificação, seja de um hotel, seja de uma agência, e como ele traz benefícios para o negócio em si, em termos de maturidade, de processos de governança e em economia”, disse.
O executivo explicou que a ideia de desenvolver a iniciativa veio de certificações por categoria da ESG Pulse, com o intuito de criar uma régua em comum para o turismo como um todo. “Esse movimento do trade, com suas principais associações reunidas, tem o objetivo de levar o Brasil para um lugar diferente, com mais impacto, mais direção e com a certeza clara de que estamos remando juntos para o mesmo caminho”, completou Brito.
A Declaração de Belém foi assinada pelas seguintes entidades:
- ABEOC Brasil (empresas de eventos)
- ABAV-SP (agências de viagens)
- ABRACORP (viagens corporativas)
- Academia Brasileira de Eventos e Turismo (eventos e turismo)
- ALAGEV (eventos e viagens corporativas)
- AMPRO (live marketing)
- BLTA (luxo)
- FOHB (hotelaria)
- MPI Brasil (profissionais de eventos)
- SINDEPAT (parques e atrações)
- UNEDESTINOS (destinos/CVBs) e
- Visite Campinas (destino/CVB)
Metodologias aplicadas
Para fomentar boas práticas e propagar o letramento das empresas, a Declaração de Belém oferece simulados em sua plataforma com jornadas sobre diferentes temas relacionados ao ESG. Os questionários apontam o nível de maturidade dos associados frente aos assuntos escolhidos e quais iniciativas se podem desenvolver para elevar seu grau de sustentabilidade.
“A função das associações é ajudar a divulgar a Declaração de Belém e colocar seus associados dentro desse roteiro de avaliações e trilhas. As empresas poderão usar a calculadora de carbono para medir suas emissões, por exemplo, além de realizar testes de áreas como A&B, hotelaria, entre outros temas. Cada participante poderá escolher a sua jornada com base em um menu amplo de opções”, salientou Brito.
A ideia é que a plataforma seja uma base de dados para o observatório da Declaração de Belém, que consolida as informações e métricas. “Em um segundo momento, vamos trabalhar essas métricas em cima de políticas públicas, com o apoio do governo. Temos algumas reuniões agendadas com a Embratur e convidamos o Sebrae Nacional e estaduais para que essas iniciativas sejam implementadas em seus territórios”, disse o executivo.
Vale destacar que a Declaração de Belém não é uma certificadora e tampouco um selo de turismo sustentável. Trata-se de um movimento em parceria com as entidades para multiplicar o letramento e boas práticas no setor.
À medida que os dados vão sendo coletados, o observatório desenvolverá novas métricas reais de mercado. Os associados poderão fazer um login na plataforma e acessar as trilhas de conhecimento, com normas nacionais e internacionais.
“A nossa associação tem o ESG como um de seus pilares. No ano passado, firmamos o compromisso de que todos os associados devem possuir uma certificação ESG, pois acreditamos na mudança de comportamento”, pontuou Camilla Barretto, CEO da BLTA.
Representando o FOHB, Ana Paula Rodrigues, gerente de Marketing da entidade, enfatizou a importância do movimento para o turismo sustentável. “São iniciativas que não são mais negociáveis. São obrigatórias”, finalizou.
Crédito da foto: Nayara Matteis/Hotelier News
Texto originalmente publicado em Hotelier News


