• João de Nagy é novo “imortal” da Academia Brasileira de Eventos e Turismo

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    Por Edgar J. Oliveira – Revista Hotéis

    Houve a posse da nova diretoria gestão 2026/ 2029 e o Conselho Fiscal e Consultivo e coube a Sérgio Junqueira Arantes, cadeira número um e até então Presidente da entidade iniciar os trabalhos lembrando como foi criada a Academia Brasileira de Eventos Turismo. “Foi uma iniciativa inédita no Brasil, oficialmente criada em 17 de fevereiro de 2006, por empresários do setor de eventos e turismo que desejaram dar um novo estímulo e uma nova ideia ao mercado profissional dos eventos. A academia nasceu com um objetivo claro: fortalecer o conhecimento, valorizar as práticas profissionais, promover a integração e contribuir para o desenvolvimento do setor de eventos e turismo no Brasil. Desde o início foi concebida como um colégio acadêmico. Reúne profissionais de grande experiência e relevância, brasileiros e estrangeiros, cuja união de interesses, troca de experiências e produção de conhecimento pudesse favorecer o desenvolvimento do mercado de eventos e turismo no país. Porque a academia nasceu com algumas missões muito claras e aqueles que estiveram conosco, daqueles primeiros momentos, 15 acadêmicos, então deve-se lembrar e hoie temos 40 cadeiras de acadêmicos, destacou Arantes.

    A cadeira de número 15 que João de Nagy passou a ocupar estava vaga desde o início de julho, após o falecimento do Acadêmico Fernando Elimelek. Ela tem como patrono Eduardo Gonçalves Ribeiro, primeiro governador negro do Estado do Amazonas, e como Acadêmico Fundador Eraldo Alves da Cruz, hoteleiro, ex-presidente da ABIH Nacional e ex- diretor da CNC.

    Logo em seguido, João de Nagy subiu ao palco e visivelmente emocionado agradeceu o apoia de seus familiares e por ter seu nome escolhido para fazer parte dessa renomada entidade e lembrou dos atributos do patrono dessa cadeira, Eduardo Gonçalves Ribeiro e de Eraldo Alves da Cruz que a ocupou, assim como seu antecessor Fernando Elimelek e parafraseando a hotelaria brincou: “Eu verifiquei que das 40 cadeiras existentes, 30 tiveram apenas um check-in. Houve um check-in e o ocupante ainda lá se encontra. Nove dessas cadeiras já tiveram um check-in, um check-out e um novo check-in. Vida que segue. Por incrível que pareça, a cadeira 15 foi a única que já teve dois check-ins e dois check-out. E agora sou o terceiro a fazer o check-in. Mas eu pretendo transformar a cadeira 15 numa estadia de longo prazo”, finalizou em tom de brincadeira o seu discurso.

    Trajetória de empreendedorismo

    Em seguida, o acadêmico Toni Sando, que é Presidente executivo do Visite São Paulo Convention Bureau lembrou um pouco da trajetória de João Nagy. “Ele nasceu em Lisboa, mas chegou na África do Sul quando tinha apenas 11 anos, sem falar uma palavra em inglês, mas hoje ele fala cinco idiomas. 0 João já foi DJ, já foi capitão porteiro, por isso que ele fica tantas vezes na porta do hotel Sheraton WTC São Paulo para matar saudade. Ele já foi vendedor de TV na favela de Soweto, já foi campeão de judô e tem relações duradouras. Ele tem como característica que marcaria toda a sua trajetória, a inquietação de quem não se contenta apenas em participar, mas em construir. Na África do Sul iniciou sua formação profissional e teve uma vivência internacional que mudou o seu olhar no mundo, amplo, multicultural e sempre conectado às oportunidades”, disse Sando.

    E ele complementou lembrando que carreira de Nagy começou na aviação, na área onde atuou na área comercial e operacional. Ali ele já demonstrava algo que depois se tornaria uma marca registrada, a sua capacidade de relacionamento e de entender o cliente coma centro dos negócios. Na sequência, ingressou na hotelaria, na rede Hilton, onde rapidamente assumiu posições de liderança, impulsionado por sua visão e pela sua facilidade de transitar em diferentes culturas e mercados. Mas João não foi feito para seguir apenas caminho já existente. Ele foi fundador da Falpax, uma agência que se tornou referência em turismo receptivo e de alto padrão no Brasil, inovando na forma de atender e se relacionar com clientes internacionais. Ele teve a atuação internacional relevante para estruturar a partir da Suíça uma empresa de gestão de ativos hoteleiros., trabalhando inclusive com a rede Kempinski na Alemanha, reposicionando empreendimentos e transformando resultados. Ou seja, não estamos falando apenas de um executivo, nós estamos falando de alguém que operou, empreendeu, reestruturou, inovou em diferentes contextos. Então, vem um dos capítulos mais emblemáticos da sua carreira”, destacou Sando.

    E ele concluiu sua apresentação lembrando que desde 2005, João está à frente da gestão do Complexo WTC São Paulo, incluindo o WTC Event Center e o Sheraton São Paulo WTC, um dos maiores e mais relevantes polos de eventos e hospitalidades da América Latina.

    Em um setor onde muitos passam, poucos deixam marca. Você deixou e continua deixando. Seja muito bem-vindo à nossa academia”, finalizou Sando.

    Logo após se seguiu o termo de posse de Nagy e dos demais diretores da gestão 2026-2029.

    Texto original da Revista Hotéis

     

  • Fórum Nacional da Academia Brasileira de Eventos e Turismo marca posse da nova diretoria em São Paulo

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    XXIV edição do encontro acontece nesta quinta-feira (26), no Grand Mercure Ibirapuera, reunindo lideranças do setor e oficializando a gestão 2026–2029 da entidade

    A Academia Brasileira de Eventos e Turismo realiza nesta quinta-feira (26), em São Paulo (SP), o XXIV Fórum Nacional da entidade, que reunirá especialistas, gestores públicos e lideranças empresariais para debater os principais desafios e oportunidades do setor. Um dos momentos centrais da programação será a cerimônia de posse da nova Diretoria Executiva, do Conselho Fiscal e do Conselho Consultivo para a gestão 2026–2029, que acontece durante o almoço comemorativo.

    Realizado no Grand Mercure São Paulo Ibirapuera, o encontro também celebra os 20 anos de atuação da Academia e contará com uma agenda de painéis sobre temas estratégicos como competitividade internacional, hospitalidade, legislação trabalhista, incentivos ao turismo e o legado de grandes eventos.

    A nova Diretoria Executiva será presidida por Romano Pansera, tendo como vice-presidente Antonio Izidoro Filho. Também integram a diretoria Elza Tsumori (Diretora Administrativa e Financeira), Anya Ribeiro, Ibrahim G. Tahtouh, João de Nagy e Marcio Favilla.
    O Conselho Fiscal será composto por Chieko Aoki, Carlos Alberto Júlio e Milton Zuanazzi como membros efetivos, além de Erica Drumond e Norton Lenhart como suplentes. Já o Conselho Consultivo, formado por ex-presidentes da entidade, contará com Sergio Junqueira Arantes, Armando de Campos Mello, Sergio Pasqualin (in memoriam), José Wagner Ferreira, Antonia Marisa Canton, Roosevelt Hamam e José Rafael Guagliardi.

    A programação do Fórum tem início pela manhã com o painel “Hospitalidade como Vantagem Competitiva”, seguido por discussões sobre os desafios da mão de obra no setor e, no período da tarde, debates sobre Tax Free, incentivos ao turismo e o impacto dos megaeventos no Brasil. Além da posse da nova gestão, o evento contará ainda com o lançamento de publicações produzidas por acadêmicos da instituição, reforçando o papel da entidade como um hub de conhecimento e articulação entre o setor público e privado.
    As inscrições para o Fórum Nacional da Academia Brasileira de Eventos e Turismo são gratuitas podem ser feitas clicando AQUI.

    Fórum Nacional da Academia Brasileira de Eventos e Turismo
    Data: 26 de março – quinta-feira
    Local: Grand Mercure São Paulo Ibirapuera – Rua Sena Madureira, 1355 – Bloco 1, Vila Clementino, São Paulo – SP
    Horários: 8h às 18h
    Inscrições e mais informações: https://forumnacionaleventos.yazotickets.com/pt-BR/eventos/xxiv-forum-nacional-eventos-2026

    Sobre a Academia Brasileira de Eventos e Turismo – Instituição especializada na indústria de eventos e turismo que se dedica à formação, capacitação e certificação de profissionais e empresas da área. Seu principal objetivo é promover a excelência e o desenvolvimento contínuo dos profissionais que atuam nesses setores, oferecendo cursos, treinamentos e certificações técnicas de alto padrão.

    Mais informações para a imprensa:
    LF & Cia Comunicação Integrada
    Tatiane Oliveira – [email protected]
    Tel: (11) 99414-2603

  • Lideranças do turismo e eventos se reúnem em São Paulo para Fórum Nacional da Academia Brasileira de Eventos e Turismo

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    Encontro acontece no próximo dia 26 para debater Tax Free, competitividade, mão de obra e megaeventos, além de celebrar os 20 anos da entidade.

    A Academia Brasileira de Eventos e Turismo realiza no próximo dia 26 de março, em São Paulo (SP), mais uma edição do Fórum Nacional da Academia, encontro que reunirá especialistas, gestores públicos e lideranças empresariais para discutir os principais desafios e oportunidades do setor de eventos e turismo no Brasil. O evento acontece no no Grand Mercure São Paulo Ibirapuera das 8h30 às 18h e também marcará as celebrações pelos 20 anos de atuação da entidade.

    Ao longo do dia, o fórum promoverá debates sobre temas estratégicos como hospitalidade, competitividade internacional, legislação trabalhista no setor de eventos, incentivos ao turismo e o legado de grandes eventos realizados no país.
    A programação tem início às 8h30 com o painel “Hospitalidade como Vantagem Competitiva: Por que os Centros de Convenções Precisam de Mais Hotéis no Entorno”, que contará com a participação de Rodrigo Goulart, secretário de Desenvolvimento do Município de São Paulo, Rômulo Polari Filho, presidente da Companhia de Desenvolvimento da Paraíba (CINEP), Silvio Barros II, prefeito de Maringá, e Nabil Sahyoun, presidente da Alshop. A coordenação será de João de Nagy.

    Às 10h30, o debate “Alta Temporada, Baixa Flexibilidade: O Desafio da Mão de Obra na Hospitalidade e nos Eventos e a Legislação Inadequada” abordará um dos principais gargalos enfrentados pelo setor atualmente, com coordenação de Alexandre Sampaio e Rosangela Gonçalves. Participarão do painel nomes como Fernando Guinato, diretor Geral do WTC EVents Center e Sheraton São Paulo WTC Hotel, Meire Medeiros, CEO do Grupo MM e Guilherme Miotto, CEO do Nobox Group.

    A programação da tarde começa às 14h30 com o painel “Tax Free e Incentivos Inteligentes: A Nova Engenharia do Turismo Competitivo”, com participação do ex-deputado e especialista em turismo Otavio Leite e professor e especialista Glauber Eduardo de Oliveira Santos, sob coordenação de Ibrahim G. Tahtouh.

    Encerrando o Fórum, às 16h30 será realizado o painel “Megaeventos, Megalegados”, que reunirá especialistas com experiência em grandes projetos nacionais e internacionais, como Cristiane Santos (Disney e Smart City), Adenauer Goes (COP30), Toni Sando (NBA, The Town e Fórmula 1) e Michel Nagy (G20 e Lady Gaga). A coordenação será de Sergio Junqueira Arantes e Toninho Izidoro.

    Na ocasião também serão lançados os livros “Diálogos Iluminados” e “2040 – Metas para os Eventos e o Turismo”, escritos por acadêmicos da instituição.

    Além de promover reflexões sobre o futuro da indústria de eventos e turismo, o encontro reforça o papel da Academia como espaço de diálogo entre poder público, iniciativa privada e especialistas, contribuindo para o desenvolvimento sustentável e competitivo do setor no Brasil. “O turismo e o setor de eventos têm um papel estratégico no desenvolvimento econômico e na geração de empregos no Brasil. Reunir lideranças públicas e privadas em um ambiente de debate qualificado é essencial para discutir soluções, compartilhar experiências e construir caminhos para tornar o país cada vez mais competitivo nesse mercado”, afirma Sergio Junqueira Arantes, presidente da Academia.

    Inscreva-se gratuitamente pelo link: Fórum Nacional Eventos 2026 – Yazo Tickets

  • Da Indústria ao Setor: a evolução conceitual dos eventos no pensamento econômico contemporâneo

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    Por Sergio Junqueira Arantes

    Durante décadas, afirmar que os eventos constituíam uma indústria foi mais do que uma escolha terminológica, foi uma tomada de posição. Em um cenário no qual encontros profissionais eram frequentemente percebidos como atividades acessórias, sociais ou meramente operacionais, adotar a expressão “indústria de eventos” significou reconhecer organização econômica, cadeia produtiva, geração de empregos, tecnologia, investimento e impacto mensurável.

    Até então, a palavra indústria trazia legitimidade e era nisso que eu acreditava. Ao longo dos anos, foi ela que permitiu estruturar o campo profissional, consolidar associações internacionais, desenvolver certificações como a CMP (Certified Meeting Professional)  e o CeGe (Programa de Certificação de Gestores de Eventos), criar metodologias de mensuração e produzir estudos capazes de demonstrar, com números, aquilo que os profissionais sempre souberam empiricamente: eventos geram negócios, conhecimento e desenvolvimento econômico.

    Outro passo relevante foi a consolidação global do termo Meetings Industry, representando um passo decisivo para que o setor conquistasse reconhecimento institucional e deixasse de ocupar um espaço periférico dentro da economia. Defender o conceito de indústria foi, portanto, necessário, e continua sendo correto. Toda atividade econômica precisa primeiro se afirmar como sistema produtivo antes de ser compreendida em sua dimensão mais ampla. Contudo, à medida que o conhecimento sobre o fenômeno dos eventos amadureceu, tornou-se evidente que a própria força dessa definição começava a revelar seus limites.

    Uma indústria tradicional pressupõe uma cadeia relativamente linear: produção, distribuição e consumo. Os eventos, porém, operam de forma distinta. Eles não produzem apenas serviços; produzem conexões. Um congresso científico acelera descobertas, uma feira reorganiza mercados inteiros, uma convenção corporativa redefine estratégias empresariais e um festival cultural transforma a percepção de um território. O impacto econômico dos eventos não termina quando o evento se encerra, ele começa ali.

    Eventos não são apenas parte da economia; são ativadores da economia. Essa natureza transversal passou a ser reconhecida progressivamente por organismos internacionais. Relatórios da ONU Turismo, da OCDE e da Comissão Europeia passaram a utilizar com maior frequência a expressão setor, ao tratar do turismo e, por extensão, dos eventos. A mudança não representou a negação da indústria, mas o reconhecimento de que encontros mobilizam simultaneamente transporte, hotelaria, tecnologia, cultura, educação, comércio, inovação, desenvolvimento urbano, inclusive as indústrias criativas. Enquanto “indústria” descreve quem organiza e opera os eventos, “setor” descreve o ecossistema econômico que eles ativam.

    A pandemia tornou essa realidade impossível de ignorar. Quando os encontros presenciais foram interrompidos, não foi apenas uma atividade econômica que parou. Cidades perderam dinamismo, destinos turísticos sofreram colapsos abruptos de demanda qualificada, cadeias de hospitalidade foram desestruturadas e ambientes de inovação ficaram temporariamente suspensos. A crise desvendou algo essencial: eventos funcionam como uma infraestrutura invisível de circulação econômica e intelectual.

    Nesse novo entendimento, os eventos deixam de ser vistos apenas como ferramentas de marketing ou hospitalidade e passam a ser compreendidos como plataformas de circulação de conhecimento, confiança e capital social. São ambientes onde decisões econômicas são tomadas, alianças são construídas e ideias ganham escala. Em uma economia baseada cada vez mais no conhecimento e na experiência, encontros presenciais tornam-se catalisadores de desenvolvimento

    Sob uma perspectiva mais ampla, essa constatação dialoga com a própria história da humanidade. Antes da escrita e muito antes das redes digitais, foi ao redor dos encontros ao redor de fogueiras que comunidades compartilharam conhecimento, estabeleceram confiança e organizaram decisões coletivas. Marshall McLuhan lembrava que toda mídia amplia uma capacidade humana. Se aceitarmos que eventos são uma mídia ancestral, então sua função é ampliar a capacidade humana de construir significado em conjunto.

    Na atual Economia da Atenção, marcada pelo excesso de informação e pela escassez de tempo, o encontro presencial ganha novo valor. Quanto mais digital se torna o mundo, mais raro e estratégico se torna o momento em que pessoas dedicam atenção plena umas às outras. Eventos passam a funcionar como ambientes de concentração cognitiva e social em meio à fragmentação contemporânea.

    É nesse contexto que a noção de setor amplia o entendimento econômico dos eventos. Setores estruturam políticas públicas, planejamento territorial e estratégias nacionais de desenvolvimento. Ao serem compreendidos também como setor, os eventos deixam de ser vistos apenas como atividades organizadas por empresas e passam a ser reconhecidos como mecanismos estruturantes de competitividade, inovação e posicionamento de marcas e destinos.

    A indústria representa a organização profissional, o conhecimento técnico e a capacidade operacional que tornam os eventos possíveis. O setor representa o alcance sistêmico de seus efeitos. São dimensões complementares de uma mesma realidade.

    Talvez a síntese mais precisa seja compreender que os eventos são simultaneamente indústria e setor, indústria na operação, setor no impacto. Essa dupla identidade acompanha a transformação da própria economia global, cada vez menos centrada na produção material e cada vez mais orientada pela experiência, pela criatividade e pela circulação de conhecimento. Nesse cenário, encontros presenciais deixam de ser apenas instrumentos de comunicação para se tornarem catalisadores de decisões, inovação e desenvolvimento.

    Ao longo do tempo, defender a expressão “indústria de eventos” foi fundamental para garantir reconhecimento econômico e profissional. Reconhecê-los também como “setor” significa compreender a verdadeira escala de sua influência.

    Porque, em última análise, eventos nunca foram apenas acontecimentos organizados. Sempre foram mecanismos de transformação coletiva, espaços onde ideias ganham forma, relações se constroem e o futuro começa a ser negociado. Os eventos são, ao mesmo tempo, uma indústria que organiza encontros e um setor que movimenta sociedades.

    Sergio Junqueira Arantes

    é CEO do Grupo Conecta Eventos, presidente da Academia Brasileira de Eventos e Turismo e Coordenador Geral do CeGe

    Texto originalmente publicado na Revista Live Mkt

  • ACADEMIA BRASILEIRA DE EVENTOS E TURISMO — 20 ANOS

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    Um Manifesto sobre o Valor dos Encontros

    Por Sérgio Junqueira Arantes

    Há vinte anos, nasceu no Brasil uma ideia simples — e profundamente humana: reunir aqueles que dedicaram suas vidas a construir encontros para pensar o próprio sentido de reunir pessoas.

    Assim surgiu, em 17 de fevereiro de 2006, a Academia Brasileira de Eventos, mais tarde ampliada para Academia Brasileira de Eventos e Turismo. Não apenas uma instituição, mas um espaço de reflexão sobre um fenômeno que acompanha a humanidade desde suas origens: o encontro como força transformadora da sociedade.

    Antes das cidades, antes das organizações, antes mesmo da escrita, já existiam os encontros. Em torno do fogo, nas celebrações das colheitas, nos rituais coletivos, o ser humano descobriu algo essencial: é junto que se aprende, que se decide e que se constrói o futuro.

    Os eventos não nasceram do mercado. Nasceram da necessidade humana de pertencimento.

    Toda academia é, por natureza, uma instituição do tempo. Ela preserva a memória, interpreta o presente e projeta o futuro.

    Ao criar cadeiras acadêmicas ligadas a patronos históricos, a Academia Brasileira de Eventos e Turismo assumiu um compromisso filosófico: reconhecer que nenhuma conquista é individual e que o conhecimento é sempre continuidade. Cada geração recebe um legado, amplia-o e o entrega adiante.

    Passado, presente e futuro coexistem — três tempos em um só — formando a consciência histórica que sustenta qualquer evolução verdadeira.

    Celebrar 20 anos, portanto, não é olhar para trás com nostalgia, mas compreender a trajetória como aprendizado coletivo.

    Desde sua fundação, a Academia compreendeu que o desenvolvimento de uma indústria depende menos da infraestrutura e mais da inteligência compartilhada.

    Eventos e turismo são atividades humanas antes de serem atividades econômicas. São espaços onde ideias circulam, culturas dialogam e decisões capazes de impactar sociedades inteiras são tomadas.

    Por isso, a missão da Academia sempre foi gerar ideias, estimular novas atitudes e promover uma gestão ética, consciente e sustentável do setor.

    O conhecimento, aqui, não é privilégio — é responsabilidade.

    Iniciativas como estudos estratégicos, programas educacionais e certificações profissionais surgem dessa convicção: qualificar pessoas é fortalecer o futuro coletivo.

    Vivemos uma era marcada por algoritmos, velocidade e excesso de informação. Nunca estivemos tão conectados — e, paradoxalmente, tão distantes.

    Nesse contexto, os eventos assumem um papel ainda mais profundo: restaurar a experiência humana da presença.

    O olhar direto, o debate espontâneo, o aprendizado não planejado dos corredores, a emoção compartilhada — elementos impossíveis de serem plenamente replicados por qualquer tecnologia — reafirmam o valor do encontro como experiência insubstituível.

    Os eventos tornam-se, assim, espaços de reconexão humana.

    A Academia também nasceu para reconhecer. Reconhecer trajetórias, contribuições e ideias que ajudaram a construir o setor no Brasil.

    Reconhecer é um gesto filosófico: significa afirmar que a história importa, que exemplos orientam caminhos e que o progresso coletivo depende da valorização daqueles que vieram antes.

    Ao homenagear pessoas e preservar memórias, a Academia fortalece identidades e inspira novas gerações.

    Ao longo de duas décadas, a Academia compreendeu que o futuro não é algo que simplesmente acontece — ele é construído por decisões presentes.

    Projetos estratégicos, iniciativas de inovação e o diálogo permanente entre mercado, academia e poder público refletem uma convicção central: desenvolvimento exige visão de longo prazo, cooperação e pensamento coletivo.

    O futuro do setor de eventos e turismo não será determinado apenas por tecnologias ou tendências, mas pela capacidade humana de continuar criando encontros significativos.

    A Academia Brasileira de Eventos e Turismo chega aos seus 20 anos como testemunha e protagonista da evolução de um setor que hoje movimenta economias, conecta culturas e transforma territórios.

    Mas seu maior legado talvez seja outro: lembrar que eventos não são apenas acontecimentos.

    São experiências que ampliam a vida social, produzem conhecimento, fortalecem comunidades e reafirmam aquilo que nos torna humanos — a necessidade de estar juntos.

    Porque toda grande transformação começa quando pessoas se encontram.

    E enquanto houver encontros, haverá futuro.

  • Entidades de turismo e eventos assinam Declaração de Belém de Turismo Sustentável

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    Por Nayara Matteis

    Na manhã de hoje (10), um importante movimento se concretizou para o desenvolvimento do turismo sustentável no país. Ao todo, 11 entidades dos setores turístico e de eventos assinaram a Declaração de Belém para o Turismo Sustentável, que visa organizar a agenda ESG dos segmentos e, assim, elevar a competitividade do Brasil perante a outros destinos internacionais.

    Um dos desdobramentos da COP30, realizada na capital paraense no ano passado, a iniciativa propõe a criação de um hub de sustentabilidade, baseado em trilhas de conhecimento e boas práticas ESG para todos os elos da cadeia produtiva dos setores.

    A ESG Pulse, plataforma brasileira especializada em métricas, governança e verificação de práticas ESG no setor de eventos e turismo, atua como Secretaria Executiva da Declaração de Belém, apoiando a coordenação da iniciativa e a estruturação da fase de implementação de forma técnica e independente, preservando o caráter público, setorial e coletivo do compromisso.

    Hélio Brito Jr., fundador da ESG Pulse e articulador da Declaração de Belém, destacou que o movimento vai muito além de ações de sustentabilidade. “É sobre a qualidade de um processo de certificação, seja de um hotel, seja de uma agência, e como ele traz benefícios para o negócio em si, em termos de maturidade, de processos de governança e em economia”, disse.

    O executivo explicou que a ideia de desenvolver a iniciativa veio de certificações por categoria da ESG Pulse, com o intuito de criar uma régua em comum para o turismo como um todo. “Esse movimento do trade, com suas principais associações reunidas, tem o objetivo de levar o Brasil para um lugar diferente, com mais impacto, mais direção e com a certeza clara de que estamos remando juntos para o mesmo caminho”, completou Brito.

    A Declaração de Belém foi assinada pelas seguintes entidades:

    • ABEOC Brasil (empresas de eventos)
    • ABAV-SP (agências de viagens)
    • ABRACORP (viagens corporativas)
    • Academia Brasileira de Eventos e Turismo (eventos e turismo)
    • ALAGEV (eventos e viagens corporativas)
    • AMPRO (live marketing)
    • BLTA (luxo)
    • FOHB (hotelaria)
    • MPI Brasil (profissionais de eventos)
    • SINDEPAT (parques e atrações)
    • UNEDESTINOS (destinos/CVBs) e
    • Visite Campinas (destino/CVB)

    Metodologias aplicadas

    Para fomentar boas práticas e propagar o letramento das empresas, a Declaração de Belém oferece simulados em sua plataforma com jornadas sobre diferentes temas relacionados ao ESG. Os questionários apontam o nível de maturidade dos associados frente aos assuntos escolhidos e quais iniciativas se podem desenvolver para elevar seu grau de sustentabilidade.

    “A função das associações é ajudar a divulgar a Declaração de Belém e colocar seus associados dentro desse roteiro de avaliações e trilhas. As empresas poderão usar a calculadora de carbono para medir suas emissões, por exemplo, além de realizar testes de áreas como A&B, hotelaria, entre outros temas. Cada participante poderá escolher a sua jornada com base em um menu amplo de opções”, salientou Brito.

    A ideia é que a plataforma seja uma base de dados para o observatório da Declaração de Belém, que consolida as informações e métricas. “Em um segundo momento, vamos trabalhar essas métricas em cima de políticas públicas, com o apoio do governo. Temos algumas reuniões agendadas com a Embratur e convidamos o Sebrae Nacional e estaduais para que essas iniciativas sejam implementadas em seus territórios”, disse o executivo.

    Vale destacar que a Declaração de Belém não é uma certificadora e tampouco um selo de turismo sustentável. Trata-se de um movimento em parceria com as entidades para multiplicar o letramento e boas práticas no setor.

    À medida que os dados vão sendo coletados, o observatório desenvolverá novas métricas reais de mercado. Os associados poderão fazer um login na plataforma e acessar as trilhas de conhecimento, com normas nacionais e internacionais.

    “A nossa associação tem o ESG como um de seus pilares. No ano passado, firmamos o compromisso de que todos os associados devem possuir uma certificação ESG, pois acreditamos na mudança de comportamento”, pontuou Camilla Barretto, CEO da BLTA.

    Representando o FOHB, Ana Paula Rodrigues, gerente de Marketing da entidade, enfatizou a importância do movimento para o turismo sustentável. “São iniciativas que não são mais negociáveis. São obrigatórias”, finalizou.

    Crédito da foto: Nayara Matteis/Hotelier News

    Texto originalmente publicado em Hotelier News

  • O Brasil que dá certo

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    Turismo, economia e uma agenda acima das ideologias

    Antes de qualquer debate ideológico, é fundamental reconhecer o trabalho consistente que vem sendo realizado pela sociedade civil organizada e o setor público no turismo brasileiro.

    A atuação da Unedestinos, por meio das organizações de Visitors e de Conventions Bureaus, espalhados pelo país, aliada ao trabalho estratégico da Embratur na promoção internacional e das secretarias de turismo do estado e dos municípios, tem sido decisiva para posicionar o Brasil nas prateleiras do turismo doméstico e mundial. Esse esforço contínuo, técnico e profissional fortalece destinos, amplia a visibilidade e cria oportunidades reais de geração de negócios, empregos e renda.

    Trata-se de uma engrenagem que funciona a partir da cooperação.

    Entidades privadas, poder público e parceiros institucionais atuam de forma integrada para promover destinos, atrair eventos, estruturar produtos turísticos e consolidar a imagem do Brasil como um país competitivo, diverso e preparado para receber visitantes. É um trabalho silencioso, muitas vezes pouco percebido, mas essencial para que o turismo avance de forma consistente.

    Nesse ecossistema, merece destaque também o papel estratégico dos jornalistas especializados em turismo. São eles que traduzem os atributos dos destinos, contextualizam experiências, informam com credibilidade e orientam o consumidor final. Mais do que divulgar, esses profissionais ajudam a construir reputação, gerar desejo e qualificar a escolha do viajante. Ao apresentar roteiros, tendências, infraestrutura e diferenciais competitivos, o jornalismo especializado agrega valor ao destino e contribui diretamente para a decisão de viagem.

    Em um setor cada vez mais competitivo, a informação de qualidade tornou-se um ativo fundamental. O turista de hoje busca referências confiáveis, conteúdos bem apurados e recomendações que vão além do óbvio. Nesse sentido, o trabalho da imprensa especializada se soma às ações de promoção institucional, ampliando o alcance das mensagens e fortalecendo a imagem do Brasil no mercado interno e internacional.

    Em tempos de polarização, a economia se impõe como um terreno de convergência. O turismo, por sua própria natureza, está acima das disputas ideológicas. Ele depende de estabilidade, planejamento, conectividade, ambiente favorável aos negócios e visão de longo prazo, pilares que dialogam diretamente com o desenvolvimento econômico.

    Quando observamos o turismo e os eventos, sob essa ótica, vemos o Brasil que funciona. Um país que empreende, que investe, que se reinventa e que gera oportunidades. Um setor que movimenta cadeias produtivas inteiras, impulsiona o desenvolvimento regional e cria impactos positivos diretos na vida das pessoas.

    A experiência mostra que, sempre que o país aposta na organização, na profissionalização e na cooperação entre os atores do setor, os resultados aparecem. A ampliação da conectividade aérea, o fortalecimento da promoção nacional e internacional, o avanço da digitalização e a qualificação da oferta turística são reflexos de uma agenda que olha para o futuro.

    O turismo é, por excelência, um exercício de consenso. Ele exige diálogo, continuidade e foco em resultados. Não há espaço para radicalismos quando o objetivo é atrair visitantes, gerar renda e posicionar o Brasil de forma competitiva no cenário global.

    Mais do que escolher lados, o momento exige maturidade. O verdadeiro partido que pode unir o país é o da economia produtiva, da geração de oportunidades e da valorização dos nossos ativos.

    E o turismo e os eventos, com sua capacidade de integrar regiões, culturas, pessoas e conhecimento, é uma das provas mais claras de que o Brasil dá certo quando escolhe o caminho da cooperação, do profissionalismo e da visão estratégica.

    Toni Sando

    Presidente Unedestinos – União Nacional de CVBs e Entidades de Destinos

    Presidente Executivo do Visite São Paulo Convention Bureau

    Membro da Academia Brasileira de Eventos e Turismo

    Facilitador CeGe – Programa de Certificação de Gestores de Eventos

    Texto originalmente publicado: Linkedin Unedestinos

  • Geração Z e eventos: o que o público mais jovem espera das experiências ao vivo

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    Durante anos, a Geração Z foi descrita como totalmente digital. Mas pesquisas recentes mostram um movimento em direção oposta: os jovens estão buscando experiências presenciais com mais intenção, profundidade e significado. E os eventos ocupam um papel central nesse novo comportamento.

    Segundo o Freeman Gen Z Report 2025, estudo global conduzido em parceria com a The Harris Poll, 91% dos jovens da Geração Z afirmam que eventos presenciais são essenciais para desenvolver habilidades sociais, enquanto 89% dizem que as conexões feitas nesses encontros são determinantes para sua confiança profissional (Freeman, 2025).

    Esse dado desmonta uma ideia comumente repetida: a de que o futuro dos eventos estaria exclusivamente no digital. Para a Gen Z, o presencial não perdeu relevância, ele foi ressignificado.

    Eventos como espaço de conexão real

    Outro dado relevante do mesmo estudo aponta que 69% da Geração Z se sente mais isolada por causa do excesso de interações digitais. Isso explica por que eventos presenciais passaram a ser vistos como espaços seguros para criar vínculos, trocar experiências e se sentir pertencente a uma comunidade.

    Não se trata apenas de entretenimento. Eventos se tornaram ambientes de desenvolvimento pessoal, networking real e construção de identidade profissional.

    O que a Geração Z espera de um evento

    Pesquisas da Freeman, Zig e análises setoriais convergem em alguns pontos-chave:

    • Autenticidade: experiências vazias ou excessivamente promocionais tendem a ser rejeitadas.
    • Propósito e valores claros: diversidade, inclusão e responsabilidade social importam — e são observados.
    • Experiência bem desenhada: planejamento detalhado, criatividade, conteúdo qualificado e mais intenção.
    • Tecnologia como meio, não como fim: o digital deve ampliar a experiência, não substituir o contato humano.
    • Valor percebido: a Gen Z é criteriosa, mas está disposta a investir em experiências que façam sentido.

    Segundo relatório da Zig, a Geração Z já representa 36% do público global em eventos ao vivo, influenciando diretamente formatos, linguagens e expectativas do setor.

    O impacto para os profissionais de eventos

    Esse cenário sugere uma mudança: produzir eventos para a Geração Z exige visão estratégica, repertório, liderança e compreensão profunda de comportamento, experiência e gestão.

    Não basta uma boa produção. É preciso pensar eventos como plataformas de transformação.

    Onde entra o CeGe

    É nesse contexto que o CeGe — Programa de Certificação Profissional para Gestores de Eventos — se torna um diferencial real.

    Ser um profissional certificado CeGe significa estar apto a liderar eventos alinhados às novas expectativas do público, com domínio de estratégia, gestão, experiência, impacto e futuro do setor. A certificação não atesta apenas conhecimento técnico, atesta capacidade de decisão, leitura de cenário e liderança transformadora.

    Para um mercado em constante mudança — e para uma geração que exige mais do que eventos esteticamente perfeitos — a certificação se torna diferencial.

    O futuro dos eventos já começou.

    Seja CeGe. Inscreva-se:

    Fontes:

    Freeman Gen Z Report 2025 (Freeman + The Harris Poll)

    GlobeNewswire / Freeman Research (2025)

    Relatório Zig — Geração Z e eventos ao vivo

  • O projeto tem data para acabar. A cultura, não.

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    Por Patty Segatto

    Em muitos setores, vivemos a realidade da “Economia de Projetos“.
    Cada vez menos estruturas estáticas e perenes, e cada vez mais squads temporários com início, meio e fim definidos.
    Essa dinâmica traz uma reflexão para lideranças:
    Como manter uma cultura forte quando a relação fica fluida?
    Aprendi que rituais de gestão e transparência não servem apenas para garantir o escopo técnico ou o prazo.
    Eles servem para dar segurança e previsibilidade às pessoas.
    Encerrar um projeto é tão importante quanto iniciá-lo.
    Porque o contrato acaba, a planilha fecha e o time se dispersa para novos desafios.
    Mas o legado humano e a reputação de como tratamos as pessoas durante a jornada permanecem.

    Patty Segatto é facilitadora do Módulo 3 do CeGe: Planejamento Estratégico e Gestão de Projeto.

    Com 30 anos de carreira em comunicação e marketing trabalhando com marcas nacionais e internacionais, especializou-se em desenvolvimento de estratégias e soluções para negócios. Atualmente Diretora de Negócios na MCI Brasil, é também fundadora da consultoria “Abrindo o Olhar”, especializada em gestão de processos de comunicação integrada, governança e soluções estratégicas de negócios. Membro do Comitê de Conhecimento e Academia da AMPRO, presidente eleita da MPI – Meeting Professional Internacional 2023/2024 (LAMEC), colunista do Grupo Radar e mentora voluntária na plataforma Mulheres no Comando. Cocoordenadora do curso de Live Marketing: Estratégias de Comunicação para Profissionais na FIPE – Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas em 2018.

    #SejaCeGe.

    Inscreva-se: https://certificacao-academia.org.br/cadastro/

  • Marcas celebram aniversário, nos oferecem presentes, mas, nem sempre o resultado entra para a história.

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    POR ANDRÉA NAKANE

    Datas comemorativas corporativas sempre são excelentes momentos para trabalhar a imagem de uma organização junto aos seus grupos de interesse.

    E, para muitas organizações, não vale apenas criar uma única ação para festejar tal momento, e sim, gerar um calendário de atividades que engloba um ano todo de ações.

    A inserção de uma visão estimulada sob a regência da criatividade e tendências na atualidade deve estar vinculada ao desenvolvimento dos projetos que podem usar um cabedal variado de instrumentos comunicacionais para tal fim. Um deles, que cada vez mais se consolida como um veículo de comunicação dirigida de alto impacto e com esplêndida visibilidade está atrelado ao universo de eventos.

    Em 2024, tivemos um exemplo fenomenal: o centenário do banco Itaú. O Itaú comemorou seu aniversário de 100 anos em 27 de setembro de 2024, mas a jornada comemorativa teve seu início em dezembro de 2023. Dentre inúmeros eventos culturais realizados ao longo do seu jubileu, como a apresentação de Fernanda Montenegro no Auditório Ibirapuera lendo Simone de Beauvoir e o “Pavilhão Itaú” no Rock in Rio 2024, a instituição financeira teve a oportunidade de reforçar seu compromisso com a democratização da cultura de acordo com a sua política de Relacionamento com a Sociedade.

    A tônica conceitual está na percepção que a marca completa mais um aniversário, mas quem ganha o presente é seu público

    Outro exemplo interessante foi o “Natal para o Bem – Concerto Sinfônico”, promovido pela Dançar Marketing na Praça Charles Miller, em São Paulo, que contou com o patrocínio da Sul América Seguros, completando 130 anos em 2025, e o colégio Vértice, fazendo 50 anos.

    O projeto reuniu grandes nomes da MPB, como Simone, Ivan Lins, Tony Gordon, Paula Lima e a soprano Valentina Lassi, com participações especiais que antecediam o tão esperado Andrea Bocelli, um dos artistas globais mais amados. Todos unidos por uma set list de composições majoritariamente natalinas. Tudo isso com orquestras e corais de adultos e crianças.

    Uma gigantesca árvore de 21 metros também foi inaugurada, marcando a contagem regressiva para o Natal.

    Além disso, propagou-se o espírito solidário com doações em espécie e em alimentos não perecíveis que certamente fariam um Natal de muitas famílias carentes mais feliz.

    “Para nós, é uma alegria enorme proporcionar essa experiência, unindo música, cultura e o espírito de solidariedade no coração de São Paulo”, declarou Andréia Maldonado, CEO da Sul América Seguros

    Um projeto encantador e que teria tudo para entrar como um marco para a cidade de São Paulo. Porém, a organização precisaria se preocupar com inúmeros pontos de atenção, que poderiam macular a ideia original. Os patrocinadores devem ser muito meticulosos nas cobranças de uma produção mais responsável e de foco na equidade – o que, aliás, é valor que as marcas envolvidas declaram ter em seu DNA.

    O palco da festa – cerca de 25 mil ingressos foram disponibilizados e esgotados em 24 horas – era pífio. E, mesmo com os telões de suporte, a dificuldade para se ver alguma coisa era imensa.

    O público – expressivamente das gerações Baby Boomers e X – travou uma verdadeira batalha para permanecer mais de 4 horas em pé, sem locais de descanso e com banheiros nos quais água era raridade.

    E como está se tornando algo de praxe, infelizmente, a área VIP – com total distinção, com cadeiras e serviços especiais -, afastou muito o público da plateia que, com a estrutura da montagem, teve também que potencializar seu sentido de audição, já que a visão, nem com os exames oftalmológicos em dia era capaz de acompanhar plenamente o que ocorria no palco.

    Outro despreparo foi a área reservada para PCDs, com informações truncadas e lotação mal dimensionada.

    Não assisti a transmissão pela TV BAND, mas os comentários de amigos e familiares foram unânimes em dizer que a dupla de jornalistas escalada para a missão poderia tagarelar menos, pois em diversos momentos atravessaram a música com narrativas sem propósito. E o que mais se via, nos takes aéreos, eram as inúmeras cadeiras vazias do espaço reservado para VIPs. Não seria de bom tom buscar oferecer algum tipo de serviço aos mais idosos que ali estavam penando em pé por tantas horas, usando tais assentos?

    Organizar eventos demanda, acima de tudo, ser sensível à experiência dos participantes, sejam eles as atrações, os VIPs, o público em geral e as equipes de trabalho. Não adianta pensar em uns e esquecer os outros… Não é porque algo é gratuito que qualquer coisa serve. Dinheiro não faltou, mas a empatia, certamente, não chegou até o local. E, nesse caso, todos perderam, inclusive os promotores do evento e os patrocinadores, aqueles que não mediram esforços para sua concretização.

    Ser convidada para um aniversário e sequer conseguir ver o bolo comemorativo pela montagem de um cenário nada acolhedor foi é triste demais… deixou um gosto amargo, uma sensação de que fomos convidados, mas que, na verdade, só queriam figuração.

    Marcas, tenham mais cuidado! É sua imagem que, ao final, acaba sendo desgastada.

    Ah… ninguém me contou sobre esses fatos… fui testemunha ocular, presente e resistente. Somei minha participação de fã com a de profissional de eventos com mais de 34 anos de experiência. E olha que nem minha altura privilegiada foi suficiente, já que tenho algo em torno de 1,80 m.

    Poderia realmente ter sido mágico… mas quem sabe em 2026? Ficarei na torcida… mas não na plateia!

    Andrea Nakane é bacharel em Comunicação Social, com habilitação em Relações Públicas. Possui especialização em Marketing (ESPM-Rio), em Educação do Ensino Superior (Universidade Anhembi-Morumbi), em Administração e Organização de Eventos (Senac-SP), e Planejamento, Implementação e Gestão da Educação a Distância (UFF). É mestre Hospitalidade pela Universidade Anhembi-Morumbi e doutora em Comunicação Social pela Universidade Metodista de São Paulo, com tese focada no ambiente dos eventos de entretenimento ao vivo, construção e gestão de marcas. Registro profissional 3260 / Conrerp2 – São Paulo e Paraná.

    Coordenadora Geral Técnica do CeGe – Programa de Certificação de Gestores de Eventos

    Texto originalmente publicado no Observatório da Comunicação